Tempo. É bom viajar por ele. Que tal visitar (nossa) Patrocínio em 1965. Para tanto, o veículo a ser utilizado é a edição nº 7, de 18 de julho, do semanário Jornal do Comércio, que circulou durante todo o ano na cidade. Um pouco do comércio, do futebol, de cinema e de gente naquela época que vivem na lembrança de gerações.

A MOVIMENTADA PRAÇA HONORATO BORGES – No Edifício Rosário, sob a gestão dos três irmãos Ferreira (Manoel, Antônio e José, este o proprietário), o Bar Itapoã é atração. O seu telefone é 245, (ainda) da Companhia Telefônica de Patrocínio S/A. Ao lado do Cine Rosário, o Barão engraxate (na entrada) e a Joalheria França (de Joaquim França). Sua (bela) filha Terezinha, colunista do jornal, anuncia que LP (Long Play, grande disco de vinil), 78 (vinil, com duas músicas) ou compacto (pequeno vinil, com quatro gravações) o cliente encontra na loja e pode escolher. E depois, para ouvir, é só colocar no pick-up (espécie de toca-discos) ou na radiola (toca-discos e rádio convencional, ondas médias e curtas). Na oferta, segundo Terezinha, dois LP’s custam apenas Cr$ 11.000,00 (onze mil cruzeiros).




Decisão da Taça Brasil, Santos 2 x 3 Cruzeiro na Vila Belmiro em 1966.  O Bar Caçula, de Mário Batista, anuncia os campeonatos Mineiro e Paulista pela TV (com muito “chuvisco” Patrocínio assistia à TV Itacolomi de BH. Não havia satélite).
Foto: Reprodução internet


PRAÇA SANTA LUZIA – O Bar Caçula, de Mário Batista, anuncia os campeonatos Mineiro e Paulista pela TV (com muito “chuvisco” Patrocínio assistia à TV Itacolomi de BH. Não havia satélite). Telefone 376 e o bar era localizado no prédio do Hotel Santa Luzia.

AINDA NA PRAÇA – Ao lado do Cine Patrocínio, Bar e Restaurante Elite, telefone 349. E no luxuoso cinema da Família Elias, sob a gerência do Sr. Virgílio Gimenez, em duas sessões, às 18h30min e 20h30min, a apresentação do filme “Vingança dos Bárbaros”. Em cinemascope (tela inteira) e colorido (às vezes, havia filme preto/branco), com Anthony Steel. Já no Cine Rosário, no mesmo horário, o filme “Esquina do Pecado”, com Suzan Hayward e John Gavin. Nesse cinema, as cadeiras eram sem estofamento. E havia o chamado “poleiro” (cadeiras no segundo andar, ingresso mais barato, onde a “molecada” fazia a festa).

FAMOSA ARTISTA – Virgínia Lane, conhecida como a “Vedetinha do Brasil” fará grande show no Cine Teatro Patrocínio, junto a 28 artistas nacionais. Depois, baile-show na Autocar (revendedor Willys, na Rua Presidente Vargas, 1.721). (Esse show aconteceu duas semanas depois).

CAP CAMPEÃO E EXPULSÃO DE TODOS! – Segundo o Jornal do Comércio (JC), “o alvinegro mais querido da cidade” foi campeão invicto no quadrangular com URT, Mamoré e Tupi, de Patos de Minas. Mas o incrível aconteceu. No jogo com o Tupi, onde o CAP, chamado de Atlético, venceu por 2 a 0, em Patos, todos os 22 atletas foram expulsos pelo juiz. A partida final, CAP 4 X URT 2, também ocorreu na vizinha cidade. Fausto marcou dois (depois, foi jogar no Vasco da Gama), Anedino e Sabino marcaram os outros dois gols. Detalhe: a camisa do CAP era igual à do Botafogo-RJ e Atlético-MG, às vezes branca com calção preto.

CENAS DE PATROCÍNIO NA VISÃO DO JC – “... a cidade conta com dois ótimos cinemas. Aos domingos, os desportistas se deslocam para o Estádio Júlio Aguiar, onde vê com satisfação os cobras do Atlético (que é o CAP, hoje), que muito prometem (para alcançar a Divisão Extra). O nosso Estádio é o melhor da região. Temos dois clubes de diversão: Churrascaria Alvorada e Associação dos Bancários (onde foi o Itamarati). Grandes noitadas com o moderníssimo conjunto Magnatas do Ritmo. No setor de Ensino, Patrocínio é considerada a capital intelectual do Alto Paranaíba, devido aos seus quatro ótimos ginásios e à Escola Normal. Nossa Estância de Serra Negra, água e hotel, é utilizada por turistas de todo o Brasil...” Isso é um pouco da cidade em julho de 1965, conforme texto do jornal. Porém, hoje, tudo isto parece apenas um retrato na parede.

O COMÉRCIO QUE DEIXOU SAUDADE – Panificadora Maracanã, pão com gosto de pão, à Av. Rui Barbosa, 704, Fone 625. A reabertura das Casas Manuel Nunes, o Barateiro. Armazém Santa Terezinha, de Belchior de Castro, à Rua Gov. Valadares. Armazém Irmãos Constantino, colaborando em baixar o custo de vida. Ribeiro S/A, materiais para construção, mármores e madeiras. A Ciclista, na Av. Faria Pereira, 332, tem bicicletas Caloi e consertos. Joalheria Diamante Azul, na Av. Rui Barbosa, 211. E ao lado, Casa do Tuniquinho com “preços rebentados”. A Camponesa, a maior fábrica de balas e doces da região. Bar São Geraldo, praça Honorato Borges, o bar dos desportistas. Café Mirim na Av. Rui Barbosa.

INTERESSANTE! – Médico (dr.) Latif Wadhy escreve sobre o combate ao câncer. Assis Filho é narrador esportivo da Difusora e Clube de Patos. Edson Pinheiro e Leonardo Caldeira trabalham “lá e cá”. É o intercâmbio entre as duas emissoras. Praça de Esportes (hoje, PTC) continua caindo aos pedaços (escreve o jornal). O patrocinense, grande radialista, Petrônio de Ávila, apresenta a Crônica do Dia (ele trabalhava na Rádio Independência de São José do Rio Preto). Rural Jeep, veículo da Willys, muito é comercializada na cidade. Massilon Machado, o poeta maior, apresenta a sua (poesia) “Súplica”.

FONTE – O Jornal do Comércio, com quatro páginas, tinha o radialista Leonardo Caldeira como diretor, Dr. Vicente Arantes (advogado) como redator e custava Cr$ 1.500,00 (um mil e quinhentos cruzeiros) a assinatura anual. Escritório à Rua Cassimiro Santos, 689 e tiragem de 1.000 exemplares.

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Praça da Matriz em 1950. Foto: Acervo Público.

Encanto
. A história sempre o é. Sobretudo, da terra natal ou da cidade que é a residência de alguém. A bela Patrocínio não é diferente. Ainda mais considerando que, para a nação patrocinense, o inesquecível e o maravilhoso moram no Município. Há 66 anos, a energia elétrica existente pertencia aos patrocinenses. Pois, havia a Companhia Força e Luz, cuja sede localizava na Av. Rui Barbosa (em frente à Caixa Econômica, hoje). A energia era gerada por duas pequenas usinas situadas na região da Serra do Cruzeiro e do Rio Dourados. Luz fraca que proporcionou aos poetas dizerem que Patrocínio era iluminada pelo luar e pelo romantismo. O telefone também era de patrocinenses, por meio de sua Companhia Telefônica de Patrocínio S.A. Nos últimos anos de sua existência, situava-se na Rua Governador Valadares (em frente à Casas Manoel Nunes). E sua lista telefônica (catálogo) destacava como era a cidade e alguns residentes. Como o telefone era produto caro e raro, somente a classe mais abastada o possuía. Tudo isso é uma imagem histórica municipal.

LETRA A – A lista mostrava nomes como Amir Amaral (médico), Altamiro Amaral (promotor público) e Armazém São Lucas (Rua Gov. Valadares com Rua Rio Branco, no antigo casarão de 150 anos que foi jogado ao chão inexplicavelmente, há alguns anos).

LETRAS B E C – A cidade contava com quatro bancos: Brasil (Rua Presidente Vargas), Minas Gerais, Mineiro da Produção (que se tornou Bemge, Rua Presidente Vargas) e Comércio e Indústria (Praça Honorato Borges, no belo casarão ainda existente). No Edifício Melhoramentos (2º andar, Praça Santa Luzia, ao lado do futuro Cine Patrocínio) com o telefone 1-4-0, estava o elitizado Clube Itamaraty. Gente inesquecível como Casimiro Barbosa (vereador do PSD), João Barbosa (vereador da UDN), Olney Barreira (empresário), Otávio Brito (farmacêutico, já falecido em 1955), Aníbal Carvalho (pai da grei Carvalho) e João Moreira Caldeira (contador, à época chamado de guarda-livros) possuíam telefones (para não esquecer, fixos e pretos).

TODOS SE ETERNIZARAM – Na letra F, existiam os números de Jorge Facury (1-0-5), Frederico Lopes (2-1-4) e Demócrito França. Nas outras letras não faltaram nomes de patrocinenses de sempre. Joaquim Leonel (comerciante), Elmiro Machado (tabelião), Antônio Mansur (comerciante), Matias Alfaiate (um dos criadores da Corrida da Fogueira). Levy Matos (farmacêutico), Geraldo Alves do Nascimento (o famoso Baim, residente em BH), Mário Alves do Nascimento, Geraldo Barbosa, Januária Novais (mãe da Dona Waldete, hoje com 99 anos), Abdias Alves Nunes (o maior vereador do século XX que a cidade conheceu), José Constantino (empresário), Péricles Paiva (fazendeiro), Carlos Pierucceti (Rua Marechal Floriano 165, pai da professora Lirinha), Lindolfo Queiroz (fone 1-6-5) e Modesto Teixeira (o mais conhecido dentista “prático”)

MAIS ETERNOS... – Na letra E era encontrado o número 1-9-4 da Empresa Força e Luz de Patrocínio (a Cemig surgiu em 1961). Na passarela da saudade ainda José Elói Santos (jornalista, pai de Sebastião Elói), Alexandrina Silveira (folclórica, e seu Gordini – pequeno automóvel dos Anos Dourados), José Luiz Silva (desportista, um dos criadores do CAP), e Wadhy Miguel Felippe (comerciante, revendedor Ford).

OS ADVOGADOS – João Aguiar Amaral (parente do político Márcio Amaral), residiu na rua Coronel João Cândido, nº 331. Roberto Pires Barbosa e Tarciso Cardoso atendiam na Rua Presidente Vargas. Waldoliro Carvalho na Rua Marechal Floriano nº 404. O quinto nome registrado no catálogo telefônico era do lendário Hélio Furtado de Oliveira, com o telefone 3-3-3.

POSTOS DE GASOLINA E AUTOMÓVEIS – A Auto Comercial Patrocínio Ltda., de Dimas José Silva (residente em Belo Horizonte), representava a Chevrolet e a Atlantic. A Miguel Felippe & Cia. a Ford e a Esso. Seu endereço era Av. Rui Barbosa com Av. Faria Pereira. Na mesma esquina, do outro lado, localizava-se o Posto São Cristovão de Antônio Felix, revendedor (caminhonete) Studebaker e a Shell. Já na Rua Presidente Vargas, 1.721, havia o Posto Internacional de Cherulli & Cia.

TÁXI (naquele tempo, “carros de praça”) – A publicidade do Ponto de Automóveis nº 1 indicava os “chauffers” (motoristas) daquele local. Eram João de Deus (o símbolo de bom no volante – tranquilo e seguro), João Pereira de Melo, Agostinho Luiz da Silva, Jair Francisco de Deus, José de Lourdes e Milton Marques (marido da Vó Zaca, primeira miss de Patrocínio). Endereço do ponto: Praça Santa Luzia com o telefone 4-0-6.

COMO ERA A DIFUSORA – O grande anúncio na Lista informa: “Rádio Difusora, da cidade que mais cresce no Alto Paranaíba”. E mais: ZYW-8, transmissor de 250 watts, 590 KHZ na onda Média e auditório para 80 lugares (nos anos 50 e 60 eram comuns e concorridos programas de auditório). A emissora era no 2º andar do Edifício Rosário, na Praça Honorato Borges. Assim terminava o quadro publicitário: o maior “porta-voz da região”.

O COMÉRCIO NOS ANOS 50 – Dragão das Louças, de João Mansur. Instituto de Beleza Manon, de Idalice Mendes Nascimento (Praça Honorato Borges). Casa Americana, de Joaquim Leonel Filho. Farmácia N. S. Perpétuo Socorro, de Benedito Romão de Melo (vice-prefeito em 1959-1962), na Praça Honorato Borges. Casa Nova (tecidos, sedas e chapéus) de Miguel Elias. Fábrica de Balas Tamandaré de Queiroz, Barreira & Cia. Bar e Restaurante Caçula, de Geraldo Barbosa Naves (refeições até às 2h da madrugada, no Hotel Santa Luzia). Bar Trianon, dos Irmãos Caixeta, também na Praça Santa Luzia.

A MODA – Pedro Rodrigues Pereira, o primeiro nome em roupas e era o revendedor Ducal. O endereço: Praça Santa Luzia, 329 – Fone: 2-0-4. Na mesma praça, do outro lado, Caldeira Alfaiate (brins, linhos, casimiras). Já na Rua Governador Valadares, Matias Alfaiate, um dos pilares da elegância patrocinense (ícone).

COMO O TELEFONE FUNCIONAVA – Havia na Praça Santa Luzia, nº 1.292 uma rudimentar central telefônica. Sua operação era semelhante a um então (hoje, um velho) PABX com telefonista. Por exemplo, para ligar para a Prefeitura Municipal (Praça da Matriz, onde é atualmente a Casa da Cultura), discava 1-0-6. A telefonista atendia e completava a ligação (ainda não existia no Município o serviço interurbano). Outro detalhe, ao pedir a ligação deveria ser dito um, zero, meia, neste caso, da prefeitura.

CURIOSIDADES – Existiam pouco mais de 300 telefones (números) na cidade. Segundo o regulamento, o pagamento da conta era adiantado. O assinante (proprietário do número telefônico) não deveria permitir o empréstimo do telefone. O uso de linguagem obscena ou falta de educação, indicados pela telefonista, motivavam a retirada do aparelho, que era da empresa telefônica patrocinense.

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Educação.
É o maior componente sustentável de uma comunidade desenvolvida. Juntamente com a Saúde. Nos últimos anos, Patrocínio tem evoluído com qualidade no Ensino Básico. Ou seja, no Ensino Infantil, Fundamental e Médio tem apresentado números alvissareiros. É o que demonstra as informações do Censo Escolar, ano 2020, publicado pelo IBGE.

ENSINO MÉDIO – No ano passado, havia 3.339 alunos matriculados, distribuídos na 1ª, 2ª, 3ª e 4ª séries. Isso posiciona Patrocínio em 35º lugar em Minas. O que é bom, pois o Município é o 39º em população. Entre as quatro séries, segundo o IBGE, a 4ª de Patrocínio é o destaque, porque avança Patrocínio para a 26º lugar.

QUANTIDADE DE PROFESSORES – O Município tem 332 docentes no Ensino Médio. Um número muito satisfatório. Além de colocar Patrocínio em 25º lugar quanto a esse quesito, posiciona a cidade à frente de outras cidades mineiras mais populosas. Um exemplo é a progressista Araxá, que tem população um pouco superior, onde há menos 58 docentes do que Patrocínio. Ou seja, lá o número de docentes é 274.

ENSINO MÉDIO: NÚMERO DE ESCOLAS – Mais uma boa lição patrocinense. Patrocínio tem 18 unidades, Araxá 11, Monte Carmelo 6 e Patos de Minas, com população maior, 26 escolas. Nessa variável, há no Estado apenas 23 cidades com mais escolas de Ensino Médio do que Patrocínio. E todas essas com população maior.

AGORA O ENSINO FUNDAMENTAL – Quanto à quantidade de matrículas, Patrocínio tem 11.639 alunos matriculados (34º lugar). Para exemplificar, dentre as nove séries do Fundamental, a 4ª série é uma boa amostra. Na Rede Estadual tem 546 alunos (21º lugar), a Rede Privada com 194 alunos (36º lugar) e a Rede Municipal com 478 alunos (58º). O desempenho quantitativo e relativo ao Estado da Rede Estadual na cidade é excelente.

PROFESSORES NO FUNDAMENTAL – Nos anos finais Patrocínio conta com 384 docentes (28º lugar). E nos anos iniciais tem 342 docentes. Isso totaliza 726 mestres.

ESCOLAS NO FUNDAMENTAL – No grupo “Anos Iniciais” há 37 unidades escolares. E nos “Anos Finais” 26 unidades (28º lugar em Minas), à frente de Araxá que tem 21. O total perfaz 63 escolas.

ENSINO INFANTIL – Nesse quesito, Patos de Minas e Araxá ganham folgadamente de Patrocínio. Enquanto, a Capital do Café possui 4.045 matrículas, a Capital do Milho e a Estância Hidromineral aproximam de 5.900 matrículas. Mesmo assim, o desempenho patrocinense é aceitável (34º lugar em Minas).

SHOW DO SETOR PRIVADO – O Ensino Infantil é dividido em dois subgrupos: Creche e Pré-Escolar. Quanto à creche, há 1.680 crianças matriculadas. Dessas matriculadas, 1.063 é em creches privadas, o que dá o 18º lugar no Estado, quanto a essa iniciativa (setor privado). Para se ter ideia, o número de matrículas em creche particular de Patrocínio (1.063) ganha do número de Patos de Minas, que tem 809 crianças matriculadas em creches privadas. As creches municipais (da Prefeitura) completam o quadro de creches em (nosso) Município.

AINDA O ENSINO INFANTIL – Além das Creches, tem o Pré-escolar. Nesse quesito, a rede da Prefeitura Municipal coloca Patrocínio no excelente 25º lugar em Minas, com 2.033 crianças matriculadas. Já o setor privado patrocinense fica distante no atendimento, quanto ao Pré-escolar (48º lugar), com 332 matriculados.

QUANTIDADE DE ESCOLA INFANTIL – No subgrupo Creche, Patrocínio conta com apenas 10 unidades escolares na rede municipal, o que é pouco. A rede particular tem 14 unidades. No outro subgrupo, o Pré-escolar, o Município tem 20 unidades escolares (de Pré-escolar) na rede municipal. E a rede particular (privada) somente há 8 unidades. Enfim, reunindo as redes da Prefeitura e Particular, Patrocínio tem poucas unidades, comparando com as grandes cidades da região (Patos e Araxá, por exemplo) e com outras regiões mineiras.

RESUMO – No grande grupo Ensino Básico, Patrocínio encontra-se muito bem no Ensino Fundamental e Ensino Médio. Isso considerando a evolução de 2008 a 2020. E tudo tendo como parâmetros (padrão, medida) o número de matrículas, de docentes e de escolas. Já o Ensino Infantil está satisfatório no período (2008/2020). Mas, pode melhorar um pouco mais, observando os três parâmetros. Pois, já existe um positivo indicador, que o crescimento do número de docentes nos últimos três anos. Agora, é promover a adequação do número de escolas e, principalmente, do incremento de crianças matriculadas, objetivando a robustez do ensino infantil na cidade. No geral, Patrocínio está muito bem na fita!

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Muito se tem falado na imprensa sobre intenções do Presidente da República de se afastar das instituições republicanas, como o Judiciário e o Legislativo, fundamentais em uma democracia.

Quem conhece um pouco da História do Brasil, não deixa de notar a semelhança do momento político atual com a época de 64. Naquela época, inicialmente houve um golpe cívico-militar. Posteriormente, os militares alijaram da politica todos os civis- Juscelino e Lacerda, por exemplo, e houve um golpe dentro do golpe e os militares governaram sozinhos por vinte anos.

Tomando com base os fatos ocorridos em Minas Gerais, que teve papel preponderante em 64, são muitas as semelhanças entre os dois momentos e enumerá-las tornam óbvias as intenções do atual governo. Naquela época, prevendo que o país caminhava para o regime comunista, temerosos de aqui acontecer o que havia acontecido em Cuba, uma das preocupações da direita daquela época foi armar os fazendeiros contrários à reforma agrária que seria proposta por João Goulart. Em Minas, na região de Corinto e Diamantina, bispado de Dom Sigaud, radicalmente direitista, os fazendeiros recebiam armas até pelo correio. Bolsonaro pretende que cada cidadão possa ter até quatro armas.

O golpe de 64 foi preparado com uma grande mobilização das polícias militares, principalmente em Minas Gerais, onde o Coronel José Geraldo, comandante da PM mineira, aderiu totalmente ao movimento. Bolsonaro tenta cooptar as polícias militares e inclusive pretendia gastar dezessete milhões de reais na compra de fuzis para equipar não somente o exército o que é natural, mas também as polícias militares. Em um momento em que se procura privatizar as ferrovias, a extinta polícia ferroviária vai ser recriada, dando ainda mais poder ao governo federal junto às polícias.

Jango não era comunista, era latifundiário no Rio Grande do Sul. Fez um governo dúbio e mostrou-se leniente com as greves, com as manifestações pelas reformas de base que incluíam a reforma agrária temida por todo os proprietários de terra, acirrando ainda mais o ânimo da direita. Governou dentro de total instabilidade política. O governo atual procura de toda forma desestabilizar a política, com manifestações claras contra as instituições, contra o STF e contra o congresso nacional . Desestabilizando as instituições, aumenta a força do governo central. Em Minas, no período que antecedeu o golpe, Augusto de Lima, neto, um civil, conclamou abertamente a polícia militar, com folhetos distribuídos em Belo-Horizonte, na cidade inteira, a se rebelar e não atender o governador Magalhães Pinto para dar cobertura a um congresso de trabalhadores previsto para ser realizado em Belo-Horizonte.

O governo Bolsonaro propôs esta semana que os crimes de ofensa às forças armadas sejam julgados por um tribunal militar. Todos os que aderiram à luta armada entre 1968 e 1978 , os terroristas, foram julgados por um tribunal militar. Jango anistiou todos os marinheiros participantes da revolta dos marinheiros, que tinha entre seus líderes o cabo Anselmo, o que acirrou ainda mais o ânimo da cúpula militar contra seu governo. Bolsonaro não permitiu a punição ao ex-ministro Pazuelo, um militar de alta patentes, informalmente o anistiou. O movimento de 64 teve uma ampla adesão da sociedade, dos civis, inclusive da Igreja Católica que, posteriormente, diante das torturas, tornou-se ferrenha combatente da ditadura. Bolsonaro busca uma ampla adesão de sociedade ao seu governo e a maior expressão são os passeios de moto, as motociatas. Hoje tem a seus favor não a Igreja Católica , mas as igrejas evangélicas.

A revolução de 64 teve amplo apoio das grandes empresas, das multinacionais que financiaram não só o golpe, como também, mais tarde, a tortura. A Volks permitiu, naquela época, a prisão e o interrogatório de funcionários dentro da própria fábrica. Bolsonaro, em seus desvarios conta, com o apoio de grandes empresários, explicitamente, dos donos da Havan e da Wizard. O governo militar suspendeu as eleições previstas para 1966. O governo atual já deixou claro, se depender dele e não mudarem as urnas, não haverá eleições em 2022.

Além disto, a CIA deu todo o apoio e suporte ao movimento de 64. Não é de estranhar a recente visita de elemento da CIA ao Brasil, certamente preocupados com a América Latina, com as eleições no Peru e no Chile e com a polarização direita/ esquerda no Brasil após a volta de Lula ao cenário político.

A imprensa tem falado quase diariamente em intenções golpistas do presidente Bolsonaro. As semelhanças do atual governo com o golpe de 64 são inúmeras. E os militares já estão no governo. Por vias democráticas, mas estão. Só falta realmente o golpe tão almejado por Bolsonaro.

Waldete Caldeira Nunes, 99 anos


Testemunha.
A histórica é de suma importância. E quando se trata de uma longeva patrocinense falando de Patrocínio é mais fascinante ainda. Lúcida, alegre, de bem com a vida, é essa testemunha antológica, que completou 99 anos dia 23 de junho. Waldete Caldeira Nunes é o seu nome. Ou simplesmente Dona Waldete.

UM POUCO DE D. WALDETE – Há cinquenta anos, reside em Belo Horizonte, próximo à Assembleia Legislativa. Portanto por quase 50 anos viveu em Patrocínio. Nasceu no bairro São Vicente, Rua São João, próximo à Santa Casa, em 23/6/1922. Os seus pais são José Caldeira Machado e Januária Moreira Caldeira, que foi casada por duas vezes.

A FAMÍLIA – Em 15/5/1943, casou-se com Aristóteles Afonso Nunes, antigo gerente do Banco Mineiro da Produção (depois Bemge). O padre holandês Williboro, sacerdote paroquial, foi o celebrante do casamento (esse sacerdote foi sepultado na Igreja Matriz, em frente a um dos altares laterais). D. Waldete tem três filhos e uma filha adotiva, oito netos, nove bisnetos e um trineto. Ou seja, um de seus bisnetos já tem filho, que se chama Matheus. Isso é caso muito raro na família brasileira.

MANIAS QUE PERDURAM – Adora a comida mineira, principalmente o tradicional feijão com arroz e carne. D. Waldete ama receber amigos e familiares em sua casa. Católica praticante, não deixa de orar diariamente. Adora o baralho, em jogos com a família e amigos. No esporte, gosta de voleibol. Em Patrocínio, final dos anos 30 e anos 40, tornou-se uma das primeiras e melhores atletas de voley na cidade.

DONA WALDETE ASSISTIU A UM MILAGRE DE PE. EUSTÁQUIO – Novembro de 1941. Hora do término das aulas na Escola Normal Nossa Senhora do Patrocínio (hoje, Belaar). Uma multidão se encontra na porta da igreja. Padre Eustáquio abençoa os fiéis, sejam pobres ou ricos, negros ou brancos. As alunas, de uniforme, mais curiosas, correm em direção à Matriz. Uma dessas alunas é Waldete Caldeira, de família patrocinense, hoje com 99 anos, residente em BH. Outra aluna, que acompanha Waldete, é Suzana Carvalho (falecida). Nesse momento, se aproxima um automóvel preto (carro era só importado, Ford ou Chevrolet). No banco traseiro, há uma senhora deitada.

A CURA DE PADRE EUSTÁQUIO – Segundo Dona Waldete, o motorista, Sr. Euclides, desce do carro e se dirige ao sacerdote:
Padre, peço-lhe bênção para a minha esposa Ambrosina, que há anos não anda mais.
Dando alguns passos rumo ao veículo, Padre Eustáquio abre a porta traseira, olha para a mulher e diz:
Você tem fé? Você é católica?
Após a resposta positiva da paralítica, o santo padre pede para Ambrosina fechar os olhos. E ele olhou para o céu e orou, por alguns instantes. A multidão, e nela se encontra Waldete Caldeira, em total silêncio, acompanha a cena de fé e esperança. Em seguida, Padre Eustáquio abaixa um pouco a cabeça, e diz:
Ambrosina, abra os olhos, pois agora te darei a bênção. Receba com muita fé.
Por três vezes, ele repete a bênção. Depois, diz:
Filha, desça do automóvel. Venha...
Não posso, não dou conta, Padre,... responde Ambrosina.
Você diz que tem fé. Então, venha...
Ela remexe no banco do carro, assenta-se com dificuldade, levanta o corpo vagarosamente, põe os pés no chão e, cambaleando, começa a andar em direção ao sacerdote holandês, que pede para ela dar uma volta em torno do automóvel. A multidão atônita se curva e reza. O inacreditável acontece. E depois, a Sra. Ambrosina andou por toda a sua vida, segundo dona Waldete (Ambrosina era parente da família Caldeira).

HISTÓRIAS DE DONA WALDETE, CONTADA NESSA SEMANA – No final dos anos 30, Waldete foi contratada para trabalhar como “vagalume” (tipo “lanterninha”) no cinema do Largo do Rosário (Praça Honorato Borges). Um médico de BH, no cinema, encantou com ela e solicitou à sua mãe Januária para ela (Waldete) trabalhar em seu consultório. Pedido negado. Nos anos 40, nos bailes do Clube Itamarati (Edifício Rosário), Waldete e seu marido Aristóteles ganharam o 1º lugar nas fantasias, casal mais animado, e dança, no carnaval.




Dona Waldete com o filho José Eustáquio Cladeira "Taquinho"

OS MELHORES DE ENTÃO... –
Essa maravilhosa patrocinense, que desafia o tempo, considera Enéas Aguiar (UDN), o melhor prefeito de Patrocínio (1959-1962). Além de Padre Eustáquio, Padre Mathias (primeiro diretor do Ginásio Dom Lustosa e vigário em 1931/33), foi o padre de maior importância para a cidade. Da mesma forma, Irmã Gislene (diretora da Escola Normal, anos 30 e 40) e Irmã Maximiliana (permaneceu na Santa Casa por quase 40 anos a partir de 1939) foram as freiras mais relevantes na vida de Patrocínio (todo o seu histórico depoimento, de 1º/07/2021, encontra-se gravado com este autor).