Por Alexandre Costa*


O Brasil vai aos poucos perdendo sua identidade. Seja no esporte, na TV ou na música, o processo de internacionalização continua a passos largos. Antes considerado “país do futebol”, a nação já não liga tanto para jogos da seleção brasileira. Já os clubes veem dificuldade em aumentar o número de torcedores numa geração que não se interessa pelas partidas dos torneios nacionais e até internacionais.

O futebol brasileiro, por exemplo, está chato. As partidas são tecnicamente ruins, com uma arbitragem irritante, atletas mimados e mal intencionados (tentam burlar a arbitragem o tempo todos), sem falar na “cera” que cada time faz quando o resultado lhe interessa. Somado a isso, a geração que experimentou na infância um 7x1 contra Alemanha, acachapante e humilhante, prefere escolher um time de Free Fire para torcer, que conta hoje com vários squads famosos, transmissões ao vivo de suas partidas e ações de marketing voltadas ao seu público.

Na contramão do que é feito no futebol brasileiro, a NBA vem enxergando no Brasil um grande mercado. Em recente matéria do Correio Braziliense, fica evidente que o brasileiro está cada vez mais ligado aos esportes americanos. Por estar morando em Brasília posso dizer com propriedade: as quadras da cidade são muito utilizadas para a prática de basquete, talvez até mais do que para o futebol.

Nesta terça-feira, 19/10, a nova temporada da NBA teve início com um show de organização. A liga promove um grande evento, homenageando atletas e times que foram campeões no ano anterior. A partida de abertura é usada para mostrar aos amantes do esporte o que lhes espera no restante da temporada. E não para por aí. Cada jogo, a partir de agora, é uma atração diferente, um produto mercadológico rentável, que da ao espectador a sensação de querer mais e desejo de consumir os produtos.

Quando olhamos a final dos campeonatos Brasileiro e Copa do Brasil da até vergonha. Não há nada especial. O máximo que existe é uma chuva de papel picado, um inflável com a marca do evento e só. Os jogadores campeões recebem as tão batidas medalhas, entregues por políticos ou dirigentes futebolísticos pra lá de carimbados.

Já o futebol americano, outro bom exemplo de sucesso do marketing, tem no intervalo do Super Bowl (jogo final) os segundos mais caros da tv mundial. Isso porque não é apenas um intervalo, exibindo melhores momentos ou chamando informações inúteis, com comentários manjados (com exceção de alguns comentaristas que realmente sabem o que falam). O Super Bowl tem tantas atrações artísticas sensacionais que imagino a sensação de quem vive isso no estádio. Após o jogo, a festa do vestiário é transmitida ao vivo, tudo vira atração.

Amo o Brasil, acho esse país incrível, com um povo trabalhador. Mas esse mesmo povo é tão carente de lideranças sérias e competentes, em praticamente todas as áreas. Tivéssemos gestores sérios, com visão administrativa moderna, tenho certeza que nosso país seria muito mais destacado do que de fato é.

Precisamos deixar a xenofobia de lado, sermos humildes o suficiente para ver que deveríamos aprender com as ações de quem sabe fazer o melhor. Neste âmbito esportivo, se não agirmos rapidamente em busca de uma mudança drástica na forma como promovemos nossos eventos, estamos fadados a vermos uma geração que não terá nenhum interesse em consumir produtos de clubes de futebol ou da seleção brasileira. Já estamos vivendo uma transformação, pois por onde tenho passado, cada vez mais vejo jovens desfilando com camisas de Lakers, Golden State Warriors, Bulls, Falcons, Eagles, Patriots, e por aí vai!

Enquanto isso: chute fraco de fora da área, goleiro defende, cai no chão e lá se vão dois minutos da nossa preciosa vida com a imagem de um ser humano rolando no chão, sem (na maioria das vezes) estar sentindo absolutamente nada. E vida que segue...

* Publicitário e jornalista, assessor de comunicação do Conselho Nacional do Café.

Reencontros. Era o nome dado às grandes festas dos patrocinenses em Belo Horizonte. Isso nos dez primeiros anos sucessivos do século XXI. Cada confraternização, no mínimo anual (às vezes, tinha até três eventos em um mesmo ano), movimentava de 200 a 1.000 pessoas. A promoção cabia à atuante Associação dos Patrocinenses Ausentes-APA. Uma década fantástica vivida pelos rangelianos na capital mineira. Desses Reencontros, já há diversas celebridades antológicas residindo na eternidade. Nessa edição, mais dois são lembrados. A de um ex-prefeito que deixou saudade e uma ex-freira que revolucionou o seu tempo. O ilibado Olímpio Garcia Brandão e a irmã Maria Flávia.

QUEM FOI DR. OLÍMPIO – Prefeito de Patrocínio de 1971 a 1975, nomeado pelo governador Rondon Pacheco. No governo Militar não havia eleição direta nem para prefeito nem para governador. Sua administração à frente da Prefeitura primou, foi sustentada, pela sagrada palavra planejamento, sobretudo o urbano. Sob sua liderança, uma equipe de urbanistas, arquitetos e humanistas elaborou o Plano Diretor e o Código de Obras. O Centro Administrativo, um dos primeiros do Brasil, foi concebido e iniciado na sua gestão. Como também as intituladas avenidas sanitárias (Av. Dom José André Coimbra e Av. João Alves do Nascimento) dentre diversas obras, sob a égide de planejadas.


Assinatura da escritura de doacao do terreno p. instalacao da Minasilk na prefeitura - 04-06-1974 -  Foto: Museu Hugo Machado da silveira.


RESPONSÁVEL POR INDÚSTRIA NOBRE ESPECIAL – Olímpio Brandão promoveu a instalação da Minasilk, única indústria de seda de Minas Gerais, cuja produção correspondeu a 10% da produção brasileira da seda. Produto totalmente exportado. Sem poluição. Significativa geradora de empregos. Mas... há quase três décadas, essa singular indústria (Minasilk e Sericitêxtil) é tão somente um belo e amarelado retrato na parede! Imperdoável!

A EVOLUÇÃO NA EDUCAÇÃO – Na administração do Dr. Olímpio foi criada a Faculdade de Filosofia, englobando os primeiros cursos superiores da cidade, que se tornou o embrião do Unicerp. Também instalou o então Colégio Agrícola (hoje, Escola Agrotécnica Sérgio Pacheco). E o curso de Enfermagem da APAE.

A SEMENTE DO AGRONEGÓCIO – Como parceiro dos governos Federal e Estadual, lançou o Polocentro no Município. Esse revolucionário programa, composto de investimentos, é a razão maior da cafeicultura no Cerrado. O prefeito Olímpio Brandão ainda participou ativamente da implantação dos Silos e armazéns da Casemg, junto ao Governo de Minas.

A RODOVIA QUE VEIO PELAS SUAS MÃOS – A construção e pavimentação do trecho Patrocínio-Ibiá-BR 262 foi fruto de planejamento do Dr. Olímpio, quando ele se tornou gestor de Planejamento do DEER-MG, em BH, após deixar a Prefeitura. Com isso, a distância entre a região de Patrocínio e a capital reduziu em quase 100 km, definitivamente.

UM PREFEITO DE VISÃO – Criou o Serviço Municipal de Saúde, antevendo a chegada do SUS. Transferiu a rodoviária do centro para o eixo de avenidas (Rua Artur Botelho para a Av. Faria Pereira). Praticou e em ensinou o respeito total ao dinheiro público.

MODO DE SER INSUPERÁVEL – Católico fervoroso. Modesto. Austero. Sério. A cidade não tinha o seu deputado. Mas, isso não impediu a presença frequente de Patrocínio nos gabinetes do governo mineiro. Na maioria das vezes, o qualificado prefeito trazia benesses para o Município. Visando economia para os cofres municipais, viajava sempre solitário. Ia de carro da Prefeitura, pensaria alguém desavisado. Nada disso. Frequentou Belo Horizonte, viajando por estrada de poeira ou barro, duradouras, pelo Expresso União (não havia rodovia pavimentada na região nem a BR 262). Isso na maioria das vezes. E pela cidade sempre andava a pé no meio da comunidade (igreja, compras, etc.).

A VIDA DE OLÍMPIO – Um dos seis filhos de Marciano Brandão, nasceu em Iguatama (MG), em 11/3/1925. Vítima de câncer, faleceu em BH, onde residia, no centro da capital, em 05/4/2007, aos 82 anos. Aluno da Escola Horonato Borges, Ginásio Dom Lustosa (também foi diretor da Escola) e Engenharia de Ouro Preto. Em 1974, casou-se com Rita Faria Tavares (irmã de Expedito, Dario e José de Faria Tavares). Irmão do médico José Garcia Brandão, um dos ícones da medicina patrocinense nos anos dourados.

UMA FREIRA PRA FRENTE – Nos anos 50 e 60, o Dom Lustosa e a Escola Normal Nossa Senhora do Patrocínio, eram as mais brilhantes escolas do Alto Paranaíba. Havia internato (alunos de outras cidades residiam nas escolas). Nos dias que não havia aulas, as alunas da Escola Normal iam ao cinema ou em festas cívicas, desfilando pelas ruas centrais, em fila dupla e indiana, uniformizadas (camisa branca e saia plissada azul). Sempre comandada por uma freira. Por ter sido a mais amiga e a mais liberal, com as meninas-moças, Irmã Maria Flávia tornou-se a mais inesquecível.

À FRENTE DE SEU TEMPO – Maria Flávia foi a primeira e única freira a andar de bicicleta em Patrocínio até a década de 70 (bicicleta era considerado veículo masculino).

À FRENTE, MESMO! – Maria Flávia também revolucionou o comportamento feminino daquela geração. Por exemplo, nos anos 60, as irmãs adquiriram dos padres holandeses uma bela chácara, na região do bairro Santo Antônio, com piscina de água corrente (a outra piscina era somente no PTC). E lá aconteceu, sob a sua direção, uma inovação sem precedentes. Deu o que falar. As meninas-moças começaram a usar maiô. Espetáculo nunca visto na urbe.

QUEM FOI – Maria Flávia, em 1947, tornou-se freira da Congregação do Sagrado Coração de Maria. Professora de Matemática e Educação Física, residiu no Colégio, por nove anos. Por volta de 1970, deixou a Congregação e passou a residir em Montes Claros, para cuidar de sua mãe. E o seu nome civil, Ulícia Martins, a acompanhou até o seu falecimento nesse começo do século XXI, já quando residia em BH. Faleceu solteira.

REENCONTROS – Nessas festas típicas da APA, foi possível os patrocinenses reviverem os tempos áureos de Olímpio Brandão e Ulícia Martins (Maria Flávia), sempre presentes. Tal como na festa ocorrida no dia 06 de outubro de 2001, no luxuoso Minas Tênis Clube II. Show com cantores patrocinenses, homenagens à gente de Patrocínio de destaque, e, baile da meia-noite até as três horas da madrugada, com a Banda Via Láctea. Mais uma noite histórica para os patrocinenses que vivem além de Patrocínio. Indelével!

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Celebridades. No começo desse século, a inesquecível Associação dos Patrocinenses Ausentes–APA promoveu o conhecimento de algumas, em suas emblemáticas festas realizadas na capital mineira. A maioria dessas confraternizações chamou-se, acertadamente, Reencontros. Nas ocorridas nos anos 2003 e 2005 foi possível conhecer, bem, Julieta Costa e Saul Faria Pereira, neto do juiz Faria Pereira (anos 10 e 20 do século XX). Duas grandes celebridades de Patrocínio. Hoje, eternos moradores do andar de cima.

Mãe amamentando bebê. Foto:  Guillermo López|Pixabay 

TRÊS MIL PARTOS!
– Nas décadas de 40, 50 e 60, a enfermeira Julieta, a dona Julieta, formada em Anápolis-GO, como parteira, deu assistência ao nascimento de aproximadamente 3.000 patrocinenses. Um recorde, quase impossível de ser batido. Segundo ela, atendia qualquer parturiente (mulher em trabalho de parto), rica ou pobre, branca ou negra. Naquela época, ia de casa em casa, pois os procedimentos de partos eram realizados nas próprias residências. Quando o parto era realizado no meio rural, a parturiente oferecia um quarto para D. Julieta para que ela permanecesse por alguns dias e dela recebesse a assistência maternal.

QUEM É (I) – Julieta Costa foi professora do Instituto Bíblico Eduardo Lane no início da década de 40. Em 1945, concluiu o curso de Enfermagem. Em seguida, trabalhou como assistente do dr. José Figueiredo. Por 26 anos, dedicou-se à sua Patrocínio, como enfermeira. Em 1969, mudou-se para Belo Horizonte, onde integrou a equipe do Hospital Júlia Kubitschek, onde se responsabilizou pelos cuidados aos portadores de tuberculose. Em 2003, aos 91 anos de idade, residia no bairro Jaraguá, na capital de Minas.

REPERCUSSÃO – Nas festas da APA, em BH, sempre foi uma das presenças que mais atraia a atenção e carinho. Pois, diversos empresários, advogados, engenheiros, médicos e tanta gente que eleva o nome de Patrocínio nasceram, vieram ao mundo, por suas sagradas mãos.

RENOMADO PEDIATRA – O médico Saul de Faria Pereira, patrocinense da gema, sempre participou das festas e solenidades da APA, em BH. A última que participou ocorreu em 2005. Nessa, aos 82 anos, muito efusivo, muito alegre, parecia que estava se despedindo de seus conterrâneos. No ano seguinte, após permanecer hospitalizado, faleceu em 21/8/2006. Deixou esposa e três filhos.

QUEM É (II) – Dr. Saul de Faria Pereira, católico fervoroso, era neto de João Nepomuceno de Faria Pereira, o juiz da Comarca que foi homenageado dando seu nome à mais importante e longa avenida da cidade (Av. Faria Pereira). Sétimo filho de Lício de Faria Pereira (esse filho do juiz), Dr. Saul teve dois irmãos muito conhecidos pelas gerações dos anos dourados. A diretora da Escola Honorato Borges, nos anos 50 e 60, Eufrosina de Faria Botelho, a Dona Folô. E o advogado João Faria Pereira Neto, bem mais conhecido como Dr. Faria, que exerceu a profissão em Patrocínio, nos anos 40, 50, 60 e 70. Faleceu também em Belo Horizonte. O advogado Arnaldo Faria é um dos filhos do conhecido Dr. Faria.

ALUNO DO DOM LUSTOSA E UFMG – Saul de Faria nasceu na região da Igreja Matriz Nossa Senhora do Patrocínio, em 11 de dezembro de 1923, onde passou a sua infância e adolescência. Estudou no Ginásio Dom Lustosa, comandado pelos padres holandeses. Pertenceu a uma das primeiras turmas nessa escola, referência maior no Triângulo Mineiro. No começo dos anos 40 foi (e sempre retornava) para a capital pela então Rede Mineira de Viação – RMV, o saudoso trem diário de passageiros Monte Carmelo-Patrocínio-Catiara-Ibiá-BH. Em 1948, concluiu, com êxito, o curso de Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais.

GRANDE PROFISSIONAL – Médico-residente do Hospital Militar de BH. Trabalhou no INSS, Sesi e Hospital da Baleia (referência na capital). Fundou o primeiro hospital infantil do Estado, o Pronto Socorro Infantil, situado na região central de BH. Era um pediatra padrão para as famílias belorizontinas.

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE... – Embora já tenha de quinze a vinte anos a época áurea dessa Associação, muitos patrocinenses memoráveis desfilaram em suas indeléveis promoções. Gente como a enfermeira Julieta e o médico Dr. Saul. Há gente, felizmente na terra. Há gente, já no céu. Tal como o presidente da APA, o veterinário Júlio Queiroz, odontólogo Luiz Fernando Silva, Prefeito Olímpio Garcia Brandão, desembargador Unias Silva, Deputado Expedito de Faria Tavares, Antônio Cândido (criador do IMA) e os irmãos Brandão (Lúcio e Maria Helena). Gente como os craques Romeuzinho, Dizinho e o empresário-artista Wanderley Guarda. Porém, tudo é tema para breve. Ave Patrocínio! Ave patrocinenses!

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Bairrismo. É um lindo sentimento de quem ama demais à sua terra natal. Ou até à sua região, em um sentido mais macro, mais abrangente. E este autor escreveu para o “Jornal Presença”, edição de 25/8/1988, bom semanário editado na cidade naquele tempo, crônica sobre este tema. Dela é extraído a emoção de quase a totalidade da população com o seu torrão. Com o chão que habita.

À PRIMEIRA VISTA, UM BOBO – Muitas vezes, o bairrista é mal interpretado. É uma pessoa mal avaliada. Que vive no mundo da lua. Ledo engano. O bairrista é um bom filho apenas. Afinal, mãe é o melhor ser desse mundo. Merece ser sempre louvada. Com a terra-mãe não seria diferente. O bairrista também é excelente comerciante. Pois, entende que a sua terra tem produtos de qualidade. Para não dizer, os melhores “do mundo”.

PURA VERDADE – O bairrista é a alma da cidade. Cidade sem bairrista é cidade sem vida. É cidade sem coração. O bairrista é a energia de uma comunidade. É a soberana voz amada por todos.

LADAINHA DO BAIRRISTA RANGELIANO:

O subsolo patrocinense esconde em seu seio as maiores reservas do planeta do mineral anatásio, que é a origem do nobre titânio. Palavra do Anuário Mineral do Brasil e do Anuário Mineral de Minas Gerais (edições dos anos 80).

O café de Patrocínio é o de melhor sabor no mundo. Palavra de corretores de café em Santos-SP (anos 80). E o Município é o maior produtor do Brasil, disparado. Palavra recente do IBGE.

A água sulfurosa de Serra Negra é a mais forte do mundo em sais minerais, contendo seis gramas de sal por litro. Palavra de analistas, conforme publicações, inclusive o jornal “Minas Gerais” (década de 80). Hoje, abandonada, é quase apenas um retrato na parede!

A água magnesiana é a mais mineralizada do Brasil. Palavra das mesmas publicações. Também um retrato na parede! Sobretudo após o desastre ambiental (incêndio), ocorrido nas últimas semanas.

Patrocínio é um dos raros municípios brasileiros que possui uma cratera de vulcão extinto. Também na região de Serra Negra. Também palavra de técnicos nos anos 80. Também quase um retrato na parede! Pois a grande lagoa do Chapadão, acima da cratera do vulcão, hoje, é somente um laguinho.

Patrocínio tem a quarta maior reserva de fosfato do Brasil e a 3ª maior de Minas. Palavras do Anuário Mineral do Brasil e do Anuário Mineral de Minas Gerais (edições década de 80).

Patrocínio tem a maior reserva de mineral olivina-dunito de Minas. Palavras dos mesmos anuários.

Patrocínio é o 4º maior arrecadador de ICMS do Triângulo (isso nos anos 80). Palavra da Secretaria Estadual de Fazenda. Hoje, perdeu algumas posições.

Patrocínio é o maior polo armazenador do Alto Paranaíba. Palavra da (antiga) Casemg (anos 80). Como se diz no futebol, “segue o líder.”

É patrocinense o maior empresário de transportes do Brasil, Nenê Constantino. Palavras de algumas revistas especializadas (anos 80). E continua sendo (Grupos Expresso União, Comporte e Gol).

Patrocínio possui os maiores frigoríficos da região. Palavras de técnicos e empresários na década de 80. Hoje, mesmo com a renomada Pif Paf, nem tanto.

Patrocínio é o maior centro calçadista do Triângulo/Alto Paranaíba. Palavras de jornais de BH, anos 80. Hoje, somente um lindo retrato na parede! Que bela foto!

O queijo patrocinense é destaque nas principais capitais do Brasil. Palavras de técnicos nos anos 80. Hoje, mantém a presença, porém é superado por alguns vizinhos.

Patrocínio, maior produtor mineiro, produz 10% da seda brasileira. Palavras de jornais de BH, nos anos 80. Hoje, é tão somente um bem amarelado retrato na parede. Que maravilha de foto!

CARTILHA DO BAIRRISTA – Nos últimos vinte anos do século XX, a ladainha dos Mais Mais sempre era lida e falada. Cidade do mais puro ar; cidade da água mais cristalina; cidade das moças mais bonitas; cidade mais limpa; cidade das melhores escolas; enfim, a cidade melhor de se viver. Hoje, a resposta está com o... “senhor” cotidiano.

DIAS ATUAIS – O bom bairrista sempre tem vez e voz. Cidade do mais destacado futebol no Triângulo-Alto Paranaíba (CAP, SEP e craque Ademir). Cidade do supremo Pronto Socorro, no Triângulo. Mais importante município do Triângulo em produção agropecuária. Patrocínio é o 2º lugar de Minas em produção leiteira e o 4º lugar no Brasil (palavras do IBGE). E outras “coisitas”... que ficarão para depois.

POR FIM – Patrocínio é assim e muito mais, segundo os apaixonados bairristas. Seus olhos estão mais próximos do coração do que da razão, às vezes. Porém, pertence a eles a versão. Salve o bairrista. O anjo Gabriel do progresso!

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Economia. A sua história é importante. Como eram as primeiras indústrias, a energia debilitada, o constante desemprego. Tudo isso envolvendo Patrocínio e região. Isso consta do documento “Sinopse do Diagnóstico Sócio-Econômico do Triângulo e Alto Paranaíba”, da Universidade Federal de Uberlândia–UFU, período 1940 a 1980.

ANOS 40: POUCA ENERGIA – A expansão industrial do Triângulo esbarrava na falta de energia elétrica. Em 1942, havia 22 municípios com pequenas usinas geradoras de eletricidade. Inclusive Patrocínio. O Município, como Uberaba e Uberlândia, não conseguia a expansão do seu parque industrial. Embora a Cemig fora criada em 1952 pelo progressista governo Juscelino Kubitschek, ela começou a servir à região somente em 1960 (Uberlândia, por exemplo, teve a sua empresa de energia incorporada à Cemig apenas em 1973).


Aquí, na Cachoeira Zé Pedro, estava a hidrelética de Patrocínio. Foto: Fundação Casa da Cultura|Patrocínio-MG


PATROCÍNIO TINHA UMA DAS MAIORES USINAS
– Em 1942, com um capital empregado de Cr$ 1.100.000,00 (um milhão e cem mil cruzeiros), a empresa Força e Luz de Patrocínio era a segunda maior do Triângulo com sede na região (sua sede localizava-se à Av. Rui Barbosa, quase Av. Faria Pereira). Tinha 9 funcionários e a sua maior usina hidroelétrica denominada José Pedro, era no município de Coromandel. Potência de 152kw. Essa companhia de Força e Luz pertencia a Francisco Rocha Nunes. No município de Patrocínio, havia ainda a pequena empresa de Serra do Salitre (10kw) e Catiara (4kw). Nessa ocasião, Serra do Salitre não tinha se emancipado dos patrocinenses, porque ocorreu em 1953.

GRANDES” EMPRESAS DE ELETRICIDADE – Ituiutaba, com capital de Cr$ 1.009.812,00, era no padrão da companhia elétrica patrocinense. A mesma coisa com a de Araxá. Já Uberaba era bem maior em todos os aspectos. A de Patos de Minas, de propriedade da Prefeitura patense, era a metade da hidroelétrica patrocinense. Enquanto que as de Uberlândia e Araguari eram maiores que a usina de Patrocínio, porém as sedes das respectivas empresas eram em outro estado.

1955: NOMES DAS INDÚSTRIAS PATROCINENSES – Mesmo com a fraquíssima energia elétrica, Patrocínio possuía algum ramo industrial nos anos 50. A Cerâmica Patrocínio Ltda., localizada no bairro Vila Constantino, era uma das principais do Triângulo. Contudo, enquanto no Município só havia ela, Monte Carmelo tinha quatro cerâmicas. No ramo de calçados, o estudo da UFU indicava para a cidade Lauderico Pio de Souza (o inesquecível Bebém). No ramo de carnes, Patrocínio era destaque na região com a Charqueada Patrocínio Ltda. e a Indústria de Carnes e Derivados Ltda. (futuro Frigorífico Dourados).

E MAIS: ÁREAS DE CONSTRUÇÃO E PADARIA – Como indústria, na construção civil, em 1955, apareceu o nome do construtor Gastão Teixeira de Almeida. No ramo das panificadoras, de Patrocínio, constou a Padaria N. S. Auxiliadora, à Rua Marechal Floriano (em frente, ao futuro Mercado Municipal, que também já deixou de existir). O proprietário era Hélio Alves de Souza (filho do ícone dos padeiros, Sr. Polidoro Alves).

TRISTE! – Os meados da década de 50 mostravam que a industrialização patrocinense era um fracasso. Isso se comparada com o que acontecia em cidades do porte de Patrocínio, tais como: Monte Carmelo, Araxá, Sacramento, Patos de Minas, Araguari e outras. Laticínio é um exemplo histórico. Em 1955, Patrocínio era grande produtor de leite, todavia com nenhuma indústria láctea. Enquanto isso, treze municípios vizinhos abrigavam um ou mais laticínios. Só hoje, quase 80 anos depois, Patrocínio começa a acordar de seu profundo sono industrial, sobretudo quanto ao leite.

TEMPO PASSANDO, NADA MUDANDO – No começo da década de 80, Patrocínio, timidamente, ensaiou pequena industrialização com a indústria têxtil e de calçados. Com isso, criou 200 empregos, segundo o INDI. E criou também mais 60 empregos na agroindústria. Assim, 260 novos empregos localizados na Saiasi e Piter (ambas no ramo de calçados) e Minasilk/Sericitêxtil (seda). Nenhuma delas resistiu até o novo século. Lamentavelmente.

SINAIS DO DESEMPREGO – Em 1960, a população economicamente ativa (que trabalha) de Patrocínio tinha 19% na agropecuária, 3% na indústria e 10% em serviços. Ou seja, somente 32% da população total trabalhava para ganhar dinheiro. Muito pouco. Apenas em 1980, melhorou um pouquinho. Todavia, a falta de empregos continuou rondando a cidade.

ASSIM – Na primeira metade do século XX, Patrocínio teve sua pujança relativa (a aquele tempo). Dos anos 1950 a 1980 predominou o marasmo. Com a chegada do Polocentro e outras ações governamentais, a partir da década de 1980, o desenvolvimento, o progresso, voltou a sorrir no Município. Não atingiu o ápice. Contudo, a caminhada é louvável. E segue.

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