PRIMEIRA COLUNA. Eustáquio Amaral faz uma "VIAGEM PELO TEMPO"

Saudade. Diversos bons exemplos rangelianos estão nos anais de Patrocínio. Vale a pena recordá-los. Principalmente, no que se refere ao glorioso e amado Clube Atlético Patrocinense – CAP e à nossa querida imprensa.

 

ANOS 50 – VIAGEM – Não há estradas asfaltadas na região. Os ônibus são do tipo “jardineira” Chevrolet, com o bagageiro em cima do veículo, onde as malas são amarradas e cobertas por lona. As malas utilizadas são duras (de couro cru ou madeira) e normalmente protegidas por uma capa. Os passageiros viajam com matula (sanduíche de salame, pastel, frutas e café) e de guarda-pó (capa de tecido leve usada como proteção da poeira), pois as viagens são sempre duradouras. No fim da década, surgem os modernos ônibus Ciferal. No Expresso União, dirigindo um desses novos ônibus, está o velocíssimo motorista, Cangaia, que leva 12 horas de Patrocínio a Belo Horizonte. Pó de Mico e Costela foram outros folclóricos motoristas da União.

 

1955 – MAIOR CRAQUE – Múcio, o maior craque de Patrocínio em todos os tempos (opinião de inúmeros conhecedores de futebol), torna-se pentacampeão mineiro pelo Atlético, atuando de centro-médio (camisa 5). O escritor e cronista Plínio Barreto diz: “Múcio, também vigoroso, era dotado de qualidades técnicas que fizeram dele um titular absoluto, numa posição onde haviam sido craques, os legendários Zé do Monte e Floriano. Versátil, ele atuou na zaga e laterais.” Na seleção mineira, no Palmeiras-SP e no Santa Cruz do Recife continuou atuando pelo meio de campo. Mas, no Flamengo do Véio do Didino, sua preferência foi a camisa 9 (centroavante).

 

NOVEMBRO/1972 – Morreu aos 71 anos de idade, o escrivão de paz e oficial de registro civil, aposentado, Demócrito França, muito conhecido na cidade, principalmente na área judicial. Nascera 29 de dezembro de 1900 (hoje, Demócrito França é nome de rua, contínua à Av. José Maria Alkmim).

 

1976: FALECIMENTO DE UM CRAQUE – Distante de sua terra do coração, Patrocínio, morreu em Almenara, no Jequitinhonha, o lendário Geraldo Matias de Abreu, simplesmente Picum, dia 1º de fevereiro. Nasceu em Carmo do Paranaíba, em 9 de outubro de 1920, vindo com pouca idade para Patrocínio. Onde fora alfaiate, oficial de justiça e um dos maiores atletas do futebol patrocinense (na seleção de todos os tempos foi muito votado). Pertenceu ao Ipiranga e posteriormente ao Flamengo. Amante do baralho (caixeta e pif-paf eram os jogos preferidos), irmão do célebre alfaiate Matias, não passou do curso primário. Nos seus dias de glória, tornou-se um dos homens de confiança do vice-presidente da República José Maria de Alkmim, governo Castelo Branco, de março de 1964 a março de 1967, em Belo Horizonte, onde transformara em importante ponto de apoio aos patrocinenses. Picum é um nome que pertence à história de Patrocínio.

 

1985: FESTA – Há quase 34 anos, o JP comemorou o seu 12º aniversário. E houve grandes solenidades. Nela, a imprensa patrocinense foi homenageada. Os melhores de 1984/1985 receberam o troféu em sua categoria. Do rádio, figuraram Luiz Cabral (melhor apresentador), Assis Filho (Que saudade! Melhor comentarista), Roberto Taylor (Enorme saudade, melhor noticiarista), Luiz Antônio Costa (melhor locutor esportivo), José Maria Campos (melhor comentarista esportivo), Humberto Cortes (Outra saudade! Melhor locutor sertanejo) e Aurelino Novaes (melhor técnico).

 

E MAIS... – Da imprensa escrita, Carmem Lúcia, Revista Presença (melhor colunista social), José Carlos Dias, Revista Presença (melhor cronista esportivo) e Eustáquio Amaral, Revista Presença (melhor colunista). Do próprio Jornal de Patrocínio, no quesito Literatura e Cultura, Edgard Andrade Rocha e (novamente) Eustáquio Amaral foram laureados. Da Gazeta de Patrocínio, José Elói Neto (repórter revelação). Antônio Caldeira (melhor fotógrafo).

 

FOI ASSIM... – A solenidade no então novo Ginásio da Indústria Fama foi comandada por Joaquim Machado (diretor). Os apresentadores foram Alberto Sanareli (Rádio Difusora) e Geraldo de Oliveira (Jornal Alto Paranaíba, que já deixou de circular). A saudosa Revista Presença, edição de julho/1985, registrou o evento. Naquela época inflacionária, cada exemplar da Presença custava Cr$ 4.000,00 (quatro mil cruzeiros).

 

PODEROSO CAP (I) – No dia 4 de fevereiro de 1992 aplicou sonora goleada (como é dito no meio esportivo) no Uberaba Sport: 7 a 0. Os gols do Patrocinense foram marcados por Marcelo (2), Ademar (2), Robertinho, Dudu e Pio Eugênio. Local: Estádio Júlio Aguiar. Campeonato Mineiro.

 

PODEROSO CAP (II) – No dia 3 de dezembro de 1992, na inauguração do Estádio Pedro Alves do Nascimento, o Patrocinense venceu o Galo por 1 a 0, gol de Dudu, aos 5 minutos do segundo tempo. Também foi a despedida de João Leite do Atlético e do futebol (o goleiro hoje é deputado).

 

PODEROSO CAP (III) – No dia 19 de dezembro desse inesquecível ano, no Pedro Alves, a equipe grená deu sonora goleada: CAP 8 X Araxá Esporte 0, pelo campeonato mineiro. Acredite!

 

PODEROSO CAP (IV) – Em 1992, pela primeira vez, um clube da cidade joga no Estádio Mineirão. Embora jogando melhor do que o Cruzeiro, perdeu por 1 a 0, gol de Charles. Por pouco, não ficava entre os 4 melhores times de Minas em 1992, escreveu José Carlos. Com Ronaldo Correia de Lima, Maurício Cunha, Valterson José da Silva e Roberto Nakamura não poderia ter dado outra coisa. Só sucesso. Foi a maior presença da torcida grená no Mineirão até hoje.

 

PODEROSO CAP (V) – Em 1993, no Uberabão, o Patrocinense venceu o Uberaba por 3 a 1. No Júlio Aguiar, derrotou o Mamoré por 2 a 1 e Nacional por 2 a 0. Em Patos de Minas, CAP 1, URT 1. “Vilma” era o patrocinador daquela equipe que marcou os anos de 1992, 1993 e 1994.

 

PODEROSO CAP (VI) – Batista, Donizete, Erly, Juninho e Euler; Paulo Alan, Dudu e Pio Eugênio; Marcelo, Ademar e Robertinho. Foi uma das formações do CAP, naquela áurea fase. Pedro Omar, Mazinho e Morais foram bons técnicos, dentre outros, que treinaram o clube-orgulho de Patrocínio de todos os tempos. No Troféu Guará da Rádio Itatiaia, Paulo Alan e Dudu foram votados como os melhores de Minas (mas, não foram eleitos).