COLUNA DO IVAN. Uma placa para Juscelino Kubitschek

 

Por Ivan Batista da Silva


juscelinoJuscelino Kubitschek. Foto: Wikipedia

 

No Colégio Atenas, temos o costume de todo ano organizar viagens com nossos alunos para conhecerem outros locais, outras arquiteturas, outros ambientes. São comuns viagens a Ouro Preto, São Paulo e Brasília.

 

Visitar Ouro Preto causa-nos pasmo de admiração pela sua arquitetura e arte voltadas para o enlevo do espírito. Em Brasília, ficamos pasmados com a arte a partir do concreto: a beleza e leveza da Catedral; a arquitetura do Itamarati, com suas obras de arte e seu enorme salão, segundo o guia, de dois mil metros quadrados sem uma única pilastra; a beleza dos palácios; a imponência e luxo do Congresso e, por fim, entre os museus, o museu de JK.

 

Vale a pena visitar este museu e ficar horas debruçado sobre os inúmeros aspectos da vida do grande líder nacional. Conhecer sua vida, ver suas vestimentas e de da. Sara, a sessão de fotos, sua biblioteca particular, e principalmente, ouvir os áudios sobre suas grandes realizações despertam em todas as pessoas um sentimento de orgulho pelo valor deste grande homem, irmanando-se ao orgulho e paixão de JK pelo seu grande trabalho em prol do Brasil.

 

Sessão não menos interessante é a das homenagens recebidas nas inúmeras situações e localidades brasileiras onde esteve. Aproximei de um aluno que me chamava não cabendo em si de contente por ter descoberto uma placa datada em Patrocínio e oferecida a Juscelino por uma firma patrocinense. JK esteve em nossa cidade em mil novecentos e setenta e cinco para inaugurar a Teia Tratores , uma firma que ficava onde hoje é o Posto Avenida, na Rui Barbosa. Já tentei descobrir a quem pertencia esta firma ao que parece de um grupo de Uberlândia. Ninguém mo soube dizer. Ainda hoje me arrependo de não termos ido eu e meu pai, juscelinista fanático, à inauguração da Teia para tirar um foto com o grande homem, admirado no Brasil inteiro.

 

Mas lá está a placa no museu de Brasília. Simples, bonita e bem conservada entre tantas outras homenagens. Cheguei a fotografá-la, porém a perdi.

 

Juscelino foi, sim, um grande líder. Era um homem obcecado por suas ideias e ações, determinado e arrojado. Ainda em 1946, o serviço secreto inglês enviou a Londres a seguinte observação sobre o líder que começava a despontar em Minas: “jovial e capaz, é dono de energia e imaginação. Deve ir longe. Responsável pelo notável desenvolvimento de Belo-Horizonte. Médico e político de considerável habilidade”.

 

Energia não lhe faltou. Habilidoso e obsessivo, venceu todos os obstáculos de seu governo. Venceu a resistência do Congresso Nacional em aprovar a construção da nova capital. Aliás, dizem que o Congresso aprovou a construção de Brasília com a certeza de que o Presidente não conseguiria realizar este intento e, assim, ficaria totalmente desmoralizado. Com seu espírito conciliador, enfrentou todos os percalços que a oposição comandada por Carlos Lacerda e a Banda da UDN interpunha a seu governo. Enfrentou a tentativa de golpe comandada por Lacerda, com apoio de militares, para que ele, Juscelino, não tomasse posse como presidente; enfrentou, ainda, a revolta e tentativa de golpe dos militares em Aragarças. Lacerda, exímio orador, fez uma oposição ferrenha a Juscelino, não lhe deu trégua em seu governo.

 

Construir uma nova Capital em cinco anos foi uma façanha heroica há quase sessenta anos atrás. Somente um grande líder teria sido capaz de fazê-lo. O presidente trabalhava arduamente no Rio e, à noite, voava para Brasília, sempre alertado pelo seus assessores dos riscos dos voos noturnos, à época de uma aviação ainda incipiente. O país não tinha sistema de comunicação, não tinha estradas, energia e indústrias. A tudo isto JK se dedicou e Brasília se tornou o caminho para a conquista e povoamento do Centro Oeste e Norte Brasileiros.

 

Fico imaginando o que faria JK se estivesse hoje presente na vida nacional, neste momento de total carência e ausência de líderes e de uma politica ao avesso. Pedro Simon, o único líder, se afastou do Congresso em um momento em que mais se precisava dele. Juscelino, com certeza, tiraria a política deste lamaçal e com seu espírito de liderança e conciliador, teria inúmeros projetos; seria, sem dúvida, o baluarte da política nacional. Mereceria muitas outras placas. Placas de ouro.

Ivan Batista da Silva é diretor do Colégio Atenas e colunista colaborar do portal Rede Hoje


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