O rádio FM no Brasil deve demorar, mas o processo é irreversível, já começou pelo mundo digitalização das emissoras nacionais de rádio gerará enorme economia anual 

Transição para rádio digital gerará economia de US$25 milhões por ano, segundo governo da Noruega. Foto: Press and | Pixabay


Da redação da Rede Hoje


Sob os olhares de outras nações, a Noruega se tornou o primeiro país do mundo a tirar do ar o sinal FM em janeiro de 2017. O desligamento que começou na manhã do dia 11 de janeiro daquele ano, na cidade mais ao norte do país, Bodø, perto do Círculo Polar Ártico, e teve cobertura ao vivo da televisão norueguesa e se alastrou como tendência pelo mundo.

No Brasil, um ano depois, em 2018, enquanto o sinal de rádio FM tem sido desligado pelo mundo desde janeiro de 2017, ele ainda é bastante popular.

Pioneira. Segundo o governo, a Noruega, pioneira nesta decisão, tem 22 estações nacionais de rádio digital e ainda há espaço para outras 20. No entanto, só restam cinco estações nacionais de rádio FM neste país de 5 milhões de habitantes.

O serviço público de radiodifusão norueguês, o NRK, desligará seu sinal FM (a sigla de origem inglesa vem de Frequencia Modulada) antes da concorrência. Mas este processo não será repentino: o sinal sai do ar região por região, desde de janeiro de 2017.

Economia. O ministério da Cultura norueguês estima que a digitalização das emissoras nacionais de rádio gerará uma economia anual de cerca de US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 80 milhões).

"O custo de transmissão de rádio nacional pela rede FM é oito vezes maior que pela rede de Retransmissão Digital de Áudio", disse o ministério em um comunicado. Isso se deve em parte pelo menor consumo de energia da transmissão digital.


Iniciativa na Noruega serve de teste para a indústria global de rádio. Foto: D Thory por Pixabay

A ministra da Cultura, Thorhild Widvey, elenca outras vantagens. "Os ouvintes terão acesso a um conteúdo de rádio mais diverso e plural e desfrutarão de uma maior qualidade de áudio, além de novas funcionalidades", disse ela recentemente.

Segundo Widvey, a digitalização também melhorará o sistema de resposta diante de emergências, já que a rádio digital é menos vulnerável a condições de clima extremas.

Indústria. Vários outros países da Europa e do sul da Ásia também avaliam uma transição para a rádio digital. Segundo o analista britânico James Cridland, o momento do desligamento do sinal FM na Noruega gerou um "momento de apreensão" para a indústria de rádio global.

"Espero que os noruegueses tenham feito o suficiente para reter a audiência e para garantir que aqueles que não tenham feito a transição para o digital o façam logo", disse.

"Quem escuta rádio pode decidir, em vez disso, passar a ouvir sua coleção de músicas ou os serviços de streaming. Se a mudança prejudicar a audiência, pode ser que outros países fiquem menos dispostos a também desligar seu sinal FM e AM."

AM já era. No Brasil, um ano depois, em 2018, enquanto o sinal de rádio FM tem sido desligado pelo mundo desde janeiro de 2017, ele ainda é bastante popular. Já o que está perdeu espaço foi o AM, cujas emissoras procuraram dials na “frequência modulada” para alocar seus espaços e facilitar o acesso aos ouvintes.

A migração ocorreu desde que o presidente da República em exercício, Rodrigo Maia, assinou o decreto que abriu o prazo de 180 dias para as rádios que ainda operam na faixa AM solicitarem a migração para a FM.

Atualmente, das 1.781 estações em “amplitude modulada”, 1.332 já pediram a adaptação da outorga.Nos últimos anos os sinais de áudio das emissoras de Amplitude Modulada desligados já é quase total em 2021.

Fontes pra esta reportagem: Tudo Celular e BBC News