Foto: Sri Harsha Gera|Pixabay


Brasileiro precisa respeitar mais seu idoso à exemplo do que se faz na Ásia
Da Redação da Rede Hoje

Um funcionário — seja público ou privado —, mal preparado ou sem empatia, pode causar um estrago numa organização. Geralmente quem trabalha com o público precisa calma, tranquilidade, paciência e empatia. O exemplo que vamos dar é importante para que funcionários, superiores hierárquicos ou quem lida com a limpeza de um local público prestem atenção.

O brasileiro está se acostumando a ser mal tratado ou ser atendido de modo grosseiro e deselegante em quase todos os locais, mas, especialmente em qualquer nível de governo.

As pessoas perderam a empatia — em resumo, empatia é se colocar no lugar do outro — principalmente no trato com idosos, crianças, pessoas com deficiência ou pobres.

Este caso é uma prova disso. Um atendimento num posto de saúde. As enfermeiras e enfermeiros, técnicos em enfermagem, a agente de saúde, todos fazendo seu trabalho da melhor forma. De maneira educada, procurando dar conforto aqueles que vão ao local em busca de atendimento. Um tratamento humano. De repente, uma pessoa, no atendimento inicial, bota tudo a perder.
O caso era apenas de rotina. A vacinação contra a Influenza(gripe). O atendimento marcado para de 8h às 11h e de 13h às 16h30. Algumas pessoas chegaram por volta de 16h25. Isso bastou para despertar o sentimento raivoso da pessoa que atendia na recepção. Os idosos levaram bronca das atendentes. "Está na hora de fechar a geladeira"(das vacinas), foi o argumento. Então, no cartão que convoca a população para vacinar, deveria marcar 16h15 ou 16h20, a finalização do processo. É preciso que a Secretaria de Saúde deixe claro para a população, porque pessoas idosas tomando "pito" de atendente mal educada, ninguém merece.

É bom lembrar que funcionário público não está fazendo favor nenhum ao cidadão, pois todos pagam seus impostos e merecem ser tratados com dignidade. Fica o alerta para Luiz Salomão, secretário Municipal de Saúde,
já que uma atitude dessas pessoas estraga o belo trabalho das agentes de Saúde e dos profissionais que atuam na vacinação.

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ESPEITO AO IDOSO. Silvia Masc escreveu o texto com o título “O olhar ao idoso no Japão e na China”, em junho de 2013 no site da Universidade Federal de Juiz de Fora, que nós reproduzimos para mostrar como deve ser o tratamento com as pessoas que já dedicaram suas vidas pelo país.

Na China e no Japão, a velhice é sinônimo de sabedoria e respeito. O fenômeno envelhecer é natural e inerente a toda espécie e tem sido preocupação da chamada civilização contemporânea. Os idosos são tratados com respeito e atenção pela vasta experiência acumulada em seus anos de vida. A família é o Porto Seguro do idoso.

Os familiares mais jovens declaram com orgulho os sacrifícios realizados pelos seus idosos em benefício da família, como a iniciação ao trabalho muito cedo com pouca instrução para o sustento e estudo dos filhos, demonstrando sempre alegria, festa e plenitude pela presença do idoso.

A cultura dessas sociedades tem como tradição cuidar bem, glorificar e reverenciar seus idosos, resultado de uma educação milenar de dignidade e respeito. Os japoneses consultam seus anciãos antes de qualquer grande decisão, por considerarem seus conselhos sábios e experientes.

Em outros grupos das sociedades antigas, o ancião sempre ocupava uma posição digna e era sinônimo de forte aspiração perante todos. Os idosos têm intensa atuação nas decisões importantes de seus grupos sociais, especialmente nos destinos políticos.

Na antiga China, o filósofo Confúcio ( que viveu entre os anos 551–479 a.C) já apregoava que as famílias deveriam obedecer e respeitar ao individuo mais idoso.

Na tradição japonesa é festejado de forma solene o aniversário do idoso. No Japão, o Dia do Respeito ao Idoso (Keiro no hi) é comemorado desde 1947, na terceira segunda-feira de setembro, mas foi decretado como feriado nacional apenas em 1966.

Trata-se de um feriado dedicado aos idosos, quando os japoneses oram pela longevidade dos mais velhos e os agradecem pelas contribuições feitas à sociedade ao longo de suas vidas.

Não se pergunta a idade a uma mulher jovem, mas sim às mais idosas, que respondem com muito orgulho terem 70 ou 80 anos, ao contrário do que se passa na sociedade brasileira, em que a partir de certa idade não se deve perguntar a idade a uma senhora para não causar constrangimentos, como terem-se muitos anos de vida fosse um motivo de vergonha ou ter-se algo a esconder.


Na tradição japonesa, ao completar 60 anos, é permitido ao homem o uso de blazer vermelho, pois somente com seis décadas de vida há a liberdade de usar a cor dos deuses. (No Brasil a cor vermelha é destinada para os mais jovens, à medida que os indivíduos envelhecem as cores destinadas são as mais claras, pálidas, sóbrias, tristes).
Na sociedade chinesa é comum se encontrar anciãos, com 90/100 anos, fazendo diariamente atividade física nos parques municipais.

Como podemos mudar esse quadro no Brasil?

Estreitar o relacionamento com as pessoas idosas próximas, ouvir e valorizar suas histórias de vida.

Conhecer mais sobre os aspectos sociais, econômicos, étnicos, culturais, legais e biológicos do envelhecimento na sociedade brasileira e repensar as atitudes/valores quanto ao idoso.

Desmistificar as causas de criação de mitos e falsos parâmetros a cerca da velhice no Brasil.

Investir nas crianças de um aos três anos, momento da constituição da personalidade, propiciando a aproximação das mesmas aos idosos e que pelo exemplo de cuidado, atenção e respeito de seus pais a essas pessoas, as crianças poderiam internalizar esses valores/atitudes, apoiadas pelas escolas, igrejas e grupos sociais.

Reconhecer a potencialidade laborativa dos idosos sua saúde, energia e criatividade.

Favorecer a inclusão social do idoso promovendo o sentido da sua existência.

Enfim, o envelhecimento deve ser visto como o alcance de certo patamar de desenvolvimento humano, indicado pela presença de papéis sociais e de comportamentos considerados como apropriados ao adulto mais velho, designando-lhe adjetivos como experiente, prudente, paciente, tolerante, ouvinte, e acima de tudo sábio”, concluiu Silvia Masc.
Fonte: LONGEVIDADE