Professor foi um dos condutores do processo que ajudou a aperfeiçoar a política de ações afirmativas da Universidade; lançamento será nesta quinta-feira


 O livro publicado pela Editora Autêntica que busca recuperar a história do procedimento de heteroidentificação racial na UFMG e trata dos impactos dessa inovação nos modos de pensar a identidade e a identificação racial no Brasil. Reprodução da capa

Por Ewerton Martins Ribeiro 
Ao longo da primeira década deste século, a UFMG adotou políticas de ações afirmativas para minimizar as desigualdades no acesso da população negra ao ensino superior. Em 2009, implementou a política de bônus vinculada a uma autodeclaração racial. Em 2012, à luz de legislação federal específica, implantou a política de cotas, e, algum tempo depois, começaram a surgir denúncias de fraudes, evidenciando ocasionais incompatibilidades entre o modo como alguns candidatos se veem e a forma como os demais estudantes os enxergam. Foi nesse contexto que a UFMG e outras universidades brasileiras implementaram os procedimentos de heteroidentificação racial, hoje fundamentais na qualificação do debate sobre as identidades raciais do brasileiro. 

Nesta quinta-feira, 13 de maio, a partir das 19h, o professor Rodrigo Ednilson de Jesus, da Faculdade de Educação, lança Quem quer (pode) ser negro no Brasil?, livro publicado pela Editora Autêntica que busca recuperar a história do procedimento de heteroidentificação racial na UFMG e trata dos impactos dessa inovação nos modos de pensar a identidade e a identificação racial no Brasil.  

Ex-pró-reitor adjunto de Assuntos Estudantis e atual presidente da Comissão de Ações Afirmativas e Inclusão da UFMG, Rodrigo Ednilson foi um dos integrantes da Administração Central que estiveram à frente dos processos de discussão e implementação dos procedimentos de heteroidentificação na Universidade. É esse conhecimento, que combina reflexão teórica e experiência de gestão, que ele compartilha no volume ora publicado.
 
“Este livro é fruto das reflexões em torno das bancas de heteroidentificação implementadas na UFMG a partir de 2019. Passei os últimos dois anos concentrado em sua preparação”, conta Ednilson. “Se, ao longo dos últimos séculos, o número daqueles que queriam ser negros era bem pequeno, em razão do racismo, a partir do advento das políticas de ações afirmativas, vimos essa realidade mudar gradativamente. Hoje, há crianças e jovens que expressam orgulho de quem são e de onde vieram, mas vemos também a necessidade de nos perguntarmos: todos podem se declarar negros? Todos podem concorrem às políticas dirigidas a pessoas negras (pretas e pardas)? Essas são apenas algumas das perguntas que este livro busca responder", afirma o professor.

Ednilson: combinação de reflexão teórica e experiência de gestãoFoca Lisboa | UFMG. Foto:

"Quem é negro no Brasil? O que é ser negro no Brasil? Quem pode se autodeclarar negro no Brasil? Longe de querer dar uma resposta final a esse conjunto de questões, fruto de complexo processo histórico, social, cultural, educacional e político, o professor Rodrigo Ednilson elabora outra forma de indagar, olhar e analisar o assunto, inspirando-se em sua trajetória pessoal, acadêmica e de gestão”, anota a professora Nilma Lino Gomes, da Faculdade de Educação, no prefácio do volume.

Outras possibilidades de análise
Nilma Lino é a coordenadora da coleção Cultura negra e identidades, que abriga a obra de Ednilson. A coleção tem como público-alvo alunos de graduação e pós-graduação, professores da educação básica, intelectuais e demais interessados na questão étnico-racial no Brasil e na diáspora. Em texto que abre o volume, Nilma afirma que o autor dialoga “com a sua própria condição de intelectual negro engajado na luta antirracista” e “problematiza e mostra outras possibilidades de análise diante desse conjunto de perguntas que fazem parte das discussões cotidianas, de estudos e pesquisas e da vida da população negra brasileira”. 

Nilma Lino prossegue: “Quem frauda uma política pública comete um crime e deve arcar com a responsabilidade desse ato. O Estado, o jurídico, a mídia, a universidade e demais setores, em uma sociedade que luta para ser mais democrática, têm a obrigação de zelar pela implementação das leis, especialmente aquelas que garantem direitos aos coletivos sociais diversos com histórico de desigualdade e discriminação. [...] O livro em questão não deixa dúvida de que as ações afirmativas não se reduzem a política de cotas, como querem alguns. Elas vão muito além: propõem a construção de políticas de combate ao racismo e à desigualdade racial.”

O livro Quem quer (pode) ser negro no Brasil? está à venda no site da Editora Autêntica. Em razão da pandemia, o lançamento será on-line, com transmissão pelo canal do Grupo Autêntica no YouTube. A live reunirá o próprio autor, a professora Nilma Lino Gomes e a reitora Sandra Regina Goulart Almeida. 

Confira a entrevista concedida por Rodrigo Ednilson ao programa Conexões da Rádio UFMG Educativa sobre o lançamento do livro.

Livro: Quem quer (pode) ser negro no Brasil?

Autor: Rodrigo Ednilson de Jesus

Editora Autêntica

R$ 44,90 / 144 páginas

 

(Texto de Ewerton Martins Ribeiro para o Portal UFMG